segunda-feira, abril 23, 2007

Novas oportunidades...


Realmente vivemos num país estranho: por um lado, temos milhares de empregados com baixas qualificações mas a quem oferecemos gratuitamente uma certificação das suas competências, por outro lado temos milhares de desempregados ou empregados licenciados, muitos deles que pagaram durante 5 anos as suas qualificações, muitas vezes acima das funções que realizam, recebendo como não licenciados.
De forma alguma estou contra a validação e certificação de competências baseada na experiência no mundo do trabalho. Mas o mesmo governo que investe milhões em dar competências em quem não as tem, esquece o papel que tem na reestruturação da economia e na criação de emprego.
Medidas que funcionam, raras vezes são usadas pelos diferentes governos deste república de bananas, perdão de Eng.os, que com todo o respeito gastaram anos a preparem-se para o mundo do trabalho e talvez esteja a receber como operários (ou se tiveram sorte, talvez recebam com 1º ministro).
As politicas salariais também acompanham esta certificação das competências. As medidas são boas mas precisam de ser enquadradas na rede desta sociedade. Não me compete, mas posso deixar algumass sugestões a quem nunca me irá ler: o investimento da economia portuguesa através da redução do IVA e IRS, poderá trazer resultados ao nível da redução da inflação, do nível de vida de todos, o que poderá também trazer uma melhoria dos niveis de produtividade dos trabalhadores. Mas isto são apenas palavras de alguém com os defeitos de formação na área de sociologia e não de economia... palavras de um treinador de bancada.
Uma boa semana a todos.

sexta-feira, abril 20, 2007

FDSemana com Sol...

Quando pintou o quadro acima o Sr. Munch, nunca imaginou que os motivos pelos quais ele se tornaria tão conhecido seriam tantos. Desde roubos em que os ladrões agradecem a segurança, a máscaras de filmes, associada a artigos sobre a "ansiedade" de revistas as referências ao "Skrik", são inúmeras. Até em dois episódios dos Simpsons ele foi parar, satirizando os roubos.

Só um apontamento para vos desejar um bom FDS... aproveitem o sol de domingo...


quinta-feira, abril 19, 2007

Para ti...

Maria... umas nascem, outras crescem, amam, choram, riem... dão alegrias e tristezas, saudades... e cá estamos para as lembrar... As Marias das nossas vidas... Se és Maria clica no link...

segunda-feira, abril 16, 2007

Bom Nome...

The Namesake - Mira Nair (2006)

Fugindo um pouco ao tema que serviu de mote aos meus últimos posts, venho sugerir que aproveitem a noite de hoje para irem ao cinema, e assistam ao regresso da realizadora indiana, Mira Nair, às salas portuguesas.

Além de uma história belíssima, mostra-nos os contrastes culturais de uma família emigrada nos USA, a sua adaptação (diferente no que respeita às gerações) e a importância que os nomes têm. Mesmo com origens diferentes talvez seja engraçado saberemos porque razão os nomes que temos nos foram dados.

O filme chama-se em português “O Bom Nome”. E vou continuar a fazer sugestões culturais sempre que a oportunidade surgir...

sexta-feira, abril 13, 2007

Diferenças... entre iguais...


O mau feitio só pode ser genético... e o meu é de certeza (até o meu gato já o adoptou como forma de vida).

Há coisas que saltam de uma geração para outra e como comecei há uns posts atrás a falar das diferenças de gerações, apetece-me continuar a usufruir deste mau feitio que me é característico, continuando a divagar.

Apesar de feitios iguais, valores semelhantes as experiências de vida tornam-nos diferentes. Os diferentes percursos de integração social, levam-nos a ter diferentes objectivos na vida e a ver a vida e os outros de formas diferentes.

Não tenho por objectivo ser igual aos meus pais... apenas vou construindo (com muitas asneiras!... calhando) a minha vida com cacos que consigo colar como um Picasso, que ele se esqueceu de pintar.

Procuro apenas viver o dia-a-dia sem estabelecer objectivos a longo prazo, sem me prender ao passado e ao futuro. Sendo eu, com as minhas loucuras, frustrações e o meu gato...

Além disso... Bom FDS para todos, com estima e amizade, por todos os que perdem tempo a ler um chorão deste calibre...

quinta-feira, abril 12, 2007

momento musical do dia

Nem sempre os sons que saiem do rádio no local de trabalho são os mais agradáveis mas o de hoje fez-me regressar no tempo, e com uma certa nostalgia, aos 80... com uma banda da qual só aprendi a gostar vários anos mais tarde... acontece...

Boys Don't Cry - liga o som e clica no link anterior - (The Cure)

I would say I'm sorry if I thought that it would change your mind

But I know that this time I have said too much, been to unkind

I try to laugh about it, cover it all up with lies

I try to laugh about it, hiding the tears in my eyes

'cos boys don't cry

Boys don't cry

I would break down at your feet and beg forgiveness, plead with you

But I know that it's too late and now there's nothing left that I can do

So I try to laugh about it, cover it all up with lies

I try to laugh about it, hiding the tears in my eyes

I would tell you that I loved you if I thought that you would stay

But I know that it's no use that you've already gone away

Misjudged your limit, pushed you too far

Took you for granted, I thought that you needed me more

Now I would do most anything to get you back to my side

But I just keep on laughing, hiding the tears in my eyes

'cos boys don't cry

Boys don't cry

Boys don't cry

Amizade...

"A amizade começa quando, estando juntas, duas pessoas podem permanecer em silêncio sem se sentir constrangidas." (Tyson Gentry)... lamento não saber nada sobre este autor... nem sequer a wikipedia me ajudou...

Em parte, pegando em qqc do post de ontem, em especial nos valor que damos à amizade, gostava de referir que muito se escreve sobre este tema... ainda que me pareça que o ser humano muito pouco ou nada sabe sobre a amizade. Tentamos criar conceitos que se reduzem à nossa experiência de vida e aprendemos a viver com as desilusões que os amigos nos trazem.

Existe uma infinidade de conceitos para definir a amizade mas poucas são as palavras que abarcam algo tão abstracto. Conceitos bonitos, de grande sensibilidade ou “castelos-nas-nuvens”? A amizade tal como o amor deve ser alimentada, pelo respeito e pelos gestos de carinho e de estima. Basta apenas uma palavra de compreensão para alimentar a amizade e o amor... pequenos gestos que se tornam tão grandes na sua importância. Saber ouvir pode ser o gesto... saber ouvir, é dar importância a quem a tem... e esses são os amigos...

Às vezes precisamos aprender a ouvir sem julgar...


quarta-feira, abril 11, 2007

um abraço para quando faz falta...

"Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento." (Alice Walker)

O relacionamento entre pais e filhos é algo constante nas nossas vidas e sempre com altos e baixos. A juntar a isto temos uma tendência cultural e muito europeia, para não dizer apenas “tuga”, para sermos o centro do nosso mundo e sentirmos que os actos dos outros nos são dirigidos...

Assim nem sempre é possível vivermos em harmonia entre diferentes gerações, em especial quanto o respeito é algo que apenas tem uma direcção... em concreto de filhos para pais. Isto acontece fundamentalmente porque as pessoas apesar de uma grande proximidade familiar não se conhecem e não consideram sequer importante conhecer o outro.

As relações que temos com amigos além de mais soltas e onde o respeito permite uma proximidade relativa, tem apenas o defeito de durar até acabar. Entre pais e filhos, é pior que o casamento, porque é mesmo até que a morte nos separe.

Isto não significa que o amor não existe, apenas que as pessoas vivem as suas vidas de formas que não são obrigatoriamente iguais mesmo que os valores que as conduzem sejam. O mundo é diferente... no último século, o mundo tem mudado tão rapidamente que a nossa adaptação às novas realidades depende da geração em que nascemos e da vontade de nos adaptarmos.

O mundo ocidental precisa que as pessoas vivam mais depressa, com uma maior disposição para aprender depressa o novo mundo que nos rodeia... as relações são diferentes da geração que nos antecedeu, que cresceu sob as criticas conservadoras de uma realidade fascista.

O que pode ser o fiel da balança nas relações? O amor e a tolerância... Pensem nisto... ou não?!

Um abraço aos amigos e à família... a todos os que sinto falta quando não estão...

segunda-feira, abril 09, 2007

300... momentos culturais

«Ou quem, com quatro mil Lacedemónios,
O passo de Termópilas defende [...]
» Luis Vaz de Camões - Lusiadas - último canto, estância 21

300... um dos grandes filmes do ano (e ainda não chegamos a meio) baseado numa BD de Frank Miller sobre a Batalha de Termophilae. Uma história de coragem que chega aos nossos dias com um grafismo de BD, perfeito para as mulheres "lavarem os olhos" (tenho pena de informar que se forem só pelo Santoro, são capazes de sairem desiludidas) e para qualquer homem que aprecie histórias com muito sangue, ficar vidrado e sem folego do principio ao fim do filme.

Depois da calma vem a tormenta...


Pois é! A pedido de alguns leitores e na sequência do último post que tem já quase 2 semanas (facto que de que sou totalmente isento de responsabilidades... e cujo dedo aponto ao blogger), venho dar continuidade à indignação que está presente numa "minoria" de portugueses que se podem dar ao luxo de expremir as opiniões contrárias ao país fascisoíde e reacionário no qual viemos a descobrir em que vivemos, coloco a imagem acima.

Quero referir ainda que na sequência do último post (já com 2 semanas...) recebi comentários por messenger em total desacordo com a minha opinião. Comentários esses (permite-me lembra-te) só são possiveis pelo facto de vivermos nesta democracia corrupta em que vivemos. Podias tê-los colocado no blog... sou suficiente democrático para colocar todos os comentários e não apenas as palmadinhas nas costas que me são dadas por quem concorda com as minhas opiniões livres... O Salazar podia ter muitas qualidades, mas deu-nos um país em que poucos podiam pensar mas apenas de acordo com o que uma elite pensava... não havia liberdade... uma falsa sensação de segurança, na qual as diferenças socio-economicas eram grandes mas não tão grandes como se vieram a tornar (concordo)... eu não vivi nessa época senão podia ter apanhado com uma carga policial, por ler Marx, ter um poster do Che ou ouvir um disco do Zeca... se interrogado por pensar e dizer que não concordava com as políticas económicas e educacionais de um país que não era um paraíso (apenas o poster dele...).

A vida não é a preto e branco... existem ainda várias câmbiantes de cinzentos... se fores mais atrevido(a) poderás seguir outro caminho e descobrir que existem azuis, vermelhos, verdes, amarelos...

Vou tentar recuperar o tempo perdido e postar mais regularmente...

Um abraço num país de em que posso gritar bem alto "ISTO É TUDO UMA MERDA..."

P.S. Foi-me enviado um comentário com um link que se refere ao cartaz do PNR, que julgo ser importante para quem tiver interesse.

sexta-feira, março 30, 2007

O fascismo voltou?


Não chegavam um bando de saudosistas das falsas moralidades e falsos bons costumes, do belo fascismo de 2ª, que caracterizou a forma de viver durante três época, terem expressado a sua opinião num concurso, que além de comentadores sem credibilidade, ficeva muito aquém da qualidade com que os portugueses merecem ser tratados, votarem no ilustrissimo Dr. Oliveira Salazar como "o mais importante de todos os portugueses", como na mesma semana surge um cartaz de um partido de tendências xenófobas, apelando à expulsão de todos os imigrantes.

Pensei em deixar passar a pobreza de espirito de todos quanto votaram no senhor Dr. Salazar (que teve as suas qualidades, sendo uma referência entre os portugueses da sua época) mas já parece preocupante que se queiram atirar os males que ocorrem neste país para imigrantes legais que contribuem para a riqueza deste país garantindo em muito casos, que muitos pobres de espirito possam receber a sua pensão no fim do mês.


Preocupante que neste pequenino país pensemos ser superiores a alguém com uma história mais rica e antiga que a mais antiga nação da europa...


O mundo tem sofrido mais mudanças nos últimos 20 anos do que conseguimos recordar, o comunismo morreu e o Fidel também já foi (só que ainda não sabe!), as torres gémeas a desfazerem mostraram ao mundo que os USA não são nem omnipotentes, nem intocáveis... um mundo novo em que um irão e uma coreia do norte desafiam o poder de uma superpotência que já não consegue reunir os aliados que ainda há 6 anos estavam desejosos de partir numa cruzada contra os islão. Uma superpotência que contribui para o aumento do efeito de estufa e que vai precisar de novos aliados para chegar a uma solução.


O mundo mudou e não só os portugueses não aprenderam nada como querem recuar 33 anos no tempo... para um mundo que já não existe. Os portugueses eram e são uma nação de emigrantes espalhados pelo mundo. Se esses deslocados que temos nos 4 continentes regressassem e substituissem os imigrantes que por cá trabalham, será as condições económicas e sociais iriam melhorar? A produtividade dos portugueses que tão apreciada se diz ser por esse mundo fora iria melhorar a nossa qualidade de vida? Será que iamos receber os emigrantes portugueses nos USA, no Canadá, na Venezula que fazem a sua vida na marginalidade, com esta alegria Nacionalista?

A mim os imigrantes não me chateiam... muitos estão cá trabalham e contribuem para a Segurança Social que não vai reverter para eles, mas para nós que continuamos a explorar a mão de obra imigrantes, como os alemães, os franceses, os espanhois, os suiços fazem...

As migrações só existem porque o local onde vivem as populações que se deslocam não produzia para garantir a subsistência. Assim era Portugal na época "paradísiaca" do fascismo... assim é hoje... A segurança que todos se queixam está relacionada com a economia e não os imigrantes. Economia essa que ficou de rastos com a "guerra do orgulho nacional" onde morreram tantos portugueses de ambos os lados. Este é o país que ainda estamos a tentar levantar...

É o país que temos... mas será que posso fazer alguma coisa para o mudar?

Dia 1º de Abril... license to lie...


Como não estou por aqui no dia 1 de Abril, vou adiantar-me na opinião que deveria ficar reservada para o dia tradicionalmente conhecido por dia das Mentiras, espero que seja curta e não aborreça ninguem, mas opinião é minha e eu dou-a, apenas porque me apetece.
A mentira é normalmente uma questão de perspectiva, na qual se esconde uma verdade mais abrangente... ou meramente uma manipulação da verdade. Filosófico talvez mas não deixa de ser verdade... ou mentira.

A verdade tal como a a mentira fazem parte do virtual da realidade. As perspectivas diluem-se e a verdade e a mentira não passam de duas faces da mesma moeda. Quanto falo em virtual procuro referir a conceitos que precisamos para definir a realidade. Mas a verdade é que nem a verdade nem a mentira existem. O que existe, são diferentes visões de um mesmo objecto. O Homem (ok... a Mulher também...) é que manipula a visão da realidade com as palavras. São estas que criam a verdade e a mentira.

Mas afastei-me do Dia das Mentiras para puder brincar com as palavras... no fundo, se não tivermos um espirito brincalhão como conseguimos nós viver numa realidade cada vez menos verdadeira? Em que as diferentes expressões do nosso eu partilham a dualidade da verdade e da mentira?


Precisamos representar cada vez mais papeis no nosso dia-a-dia, ao ponto de esquecermos o real e criarmos a imagem do que gostavamos de ser. Manipulamos o nosso eu tantas direcções diferentes que a própria realidade se distorce. Para manter a sanidade, precisamos de brincar.


Vamos fazer do dia das mentiras uma expressão daquilo que somos... Crianças em pele de adultos... Punham sorrisos na cara e experimentem andar com eles...

Bom FDS

segunda-feira, março 26, 2007

Filmes e músicas...

Um fds agradável, sem prisões ou obrigações e deixando-me levar pelas inspirações de momento.

Não começou na 6ª mas sim no sábado, com o passeio errático e sem destino programado na Feira da Ladra, onde se respira uma atmosfera mista de malandrice e nostálgias, cultura e quinquilharia. Quero propor como som do dia (e talvez da semana), para quem gosta de música irlandesa a compra de sábado, que saiu a bom preço e sem grandes negociações:
The Dubliners.

Depois almocei com uma alarvidade comedida, num tasco no Beato, em jeito de despedida de um bom amigo, que vai procurar outras atmosferas na capital da europa civilizada e triste: Bruxelas.


Despedidas feitas e espirito irrequieto... que fazer? Vou cravar a Patanisca para dar a volta dos tristes. Efectuado o convite e lá seguimos nós em direcção (um pouco vaga e sem ideias muito definidas) a Sintra e ao sol.
A primeira paragem foi no cabo da Roca, onde estava um sol quente e um vento cortante e nada desagradável vindo do mar. Depois um pulinho até à praia do guincho. Uma tarde bem passada e em boa companhia.

Da musica já falei. Quanto aos filmes decidi seguir o conselho da Especiaria e aluguei o filme "
Água". Fotografia magnifica e uma história que mexe na alma.

Deixo, assim, duas sugestões culturais a quem se interessar pela coisa...

sexta-feira, março 16, 2007

Vamos meditar um pouco...

Os mails ainda servem para qqc + do que mandar anedotas, pedidos de sangue ou transplantes de medulas para doentes terminais que estão a morrer à pelo menos 10 anos, para nos propor "negócios da china" no meio do continente africano ou no Brasil... ocasionalmente trazem notícias de quem não ouvimos há muito ou trazem algo em que pensar... A seguinte transcrição enquadra-se nesta última categoria... não fala em sentimentos, mas na cultura de um povo e no que pudemos mudar para melhorar. Talvez se cada um fizer um pouco...

Construir um País

Precisa-se de matéria prima para construir um País

Eduardo Prado Coelho - in «Público»

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.

Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.

Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.

Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.

Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.

Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?

Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.

Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.

Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.

E você, o que pensa?.... MEDITE!

Musicas de sonho... e bom acordar...


Depois de uma deprimente semana (pela qual responsabilizo o Banco Central Europeu, pelos seus irresponsáveis e consequentes aumentos nas taxas de juro, que constantemente nos aumentam o custo de vida), acordei hoje com um sorriso. Infelizmente a "culpada" pelo excelente a acordar não foi uma mulher meiga deitada a meu lado. Foi um homem.

Concretamente o Sr. Pedro Ribeiro com o seu programa da manhã e o seu cantinho de músicas de sonho. O rádio-despertador já tocava há uns bons 20 mins. e eu nem sequer o ouvia, quanto o dito cujo radialista começa a descrever um pedido que lhe foi feito ontem ao entrar para o jogo do SLBenfica-PSGermain (parabéns pela vitória!). Um adepto agarrado à bela da "bejeca" faz o pedido da música que me despertou com um sorriso.

Pela imagem acima já devem ter adivinhado que foi a música do Verão Azul, série de culto para quem viveu os anos 80.

Obrigado Pedro Ribeiro...

Bom FDS

segunda-feira, março 12, 2007

Pensamento do dia... :D


Descobri que o melhor tratamento de beleza é a bebedeira! Quando estou com uns copos a mais, toda a gente me elogia:

"Tás bonito, tás..."

sexta-feira, março 09, 2007

A Strange Kind Of Love...

Peter Murphy (Bauhaus) (1957-...)

A strange kind of love
A strange kind of feeling
Swims through your eyes
And like the doors
To a wide vast dominion
They open to your prize

This is no terror ground
Or place for the rage
No broken hearts
White wash lies
Just a taste for the truth
Perfect taste choice and meaning
A look into your eyes

Blind to the gemstone alone
A smile from a frown circles round
Should he stay or should he go
Let him shout a rage so strong
A rage that knows no right or wrong
And take a little piece of you

There is no middle ground
Or that's how it seems
For us to walk or to take
Instead we tumble down
Either side left or right
To love or to hate

terça-feira, março 06, 2007

Ao meu amigo Mário...

DO MAR

Aqueles de um país costeiro, há séculos,

contêm no tórax a grandeza

sonora das marés vivas.

Em simples forma de barco,

as palmas das mãos. Os cabelos são banais

como algas finas. O mar

está em suas vidas de tal modo

que os embebe dos vapores do sal.

Não é fácil amá-los

de um amor igual à

benignidade do mar.

Fiama Hasse Pais Brandão, As Fábulas

Dias de Mulheres...


Em vésperas de mais uma "homenagem" aos seres do sexo feminino que aos poucos vão conquistando um lugar ao sol neste pequenino país em que ainda têm de lutar por uma igualdade de direitos, venho aqui expressar a minha opinião sobre este dia que ao contrário do pretendido cria um maior afastamento da igualdade entre homens e mulheres na sociedade.

A mulher e os seus diferentes papeis sociais, como mãe, "mulher" (esposa), filha, trabalhadora merece mais do que "um" dia, devendo ser recordado e valorizado todo o esforço que fazem por conquistar um lugar ao lado do homem como cidadãos de pleno direito.

As flores acima são para todas as mulheres, em todos os dias do ano.


Profissão: Mulher

Ana C. Pozza

Do lar?!
Só se for dinheiro
Recheando a minha carteira!
Eu sou mulher!
Mulher por inteiro.
Mulher inteira.

Prefiro ser
Louca,
Des-va-i-ra-da
A ser
Isaura,
Mulher escravizada!

quinta-feira, março 01, 2007

Não escolhes quem amas...

Ernst Ludwig Kirchner - Girl Under a Japanese Parasol


... no máximo, aceitas que te amem. Era tão mais fácil que as nossas escolhas recaíssem sobre a pessoa certa, para quem nós seríamos o mesmo...

Comecei (e ainda não acabei) a ler o livro Sputnik, meu amor de um japonês com um daqueles nomes quase impronunciáveis. Conta a história de um triste triângulo cujo vértice é uma mulher... simplificando: um homem ama uma mulher que não tem o mínimo desejo sexual por ele mas que se apaixona por outra mulher que não tem a mais vaga consciência desse desejo... foi simples ou continuam suficientemente baralhados? Não me confunde minimamente o desejo (homo)sexual da jovem em causa... Apenas queria referir que os nossos desejos e as nossas paixões nem sempre são dirigidas às pessoas que sentem da mesma forma... e mesmo quando isso acontece nem sempre são as pessoas que nos fazem melhor... é fácil, no entanto acomodarmo-nos ao que outros sentem por nós, mesmo sem partilharmos esses mesmos sentimentos...

Aprendi ainda que Sputnik significa companheiro de viagem... e o que é a vida além de uma viagem?